Ultra capta US$ 62 milhões para alugar robôs de armazém por mensalidade, com IA da Physical Intelligence
Startup do Brooklyn fechou Série A de US$ 50 milhões; seu robô OP1 embala, separa e monta kits em armazéns dos EUA, sob contrato mensal.
A Ultra, startup do Brooklyn, em Nova York, que aluga robôs para armazéns, anunciou em 9 de outubro de 2026 que levantou US$ 62 milhões em duas rodadas. Segundo a Fortune, a maior parte veio de uma Série A de US$ 50 milhões liderada pela Framework Ventures, com participação da Y Combinator; o restante corresponde a uma rodada semente de US$ 12 milhões liderada pela Y Combinator e pela NextView. A empresa também ampliou a parceria com a Physical Intelligence, que fornece os modelos de IA usados pelos robôs. O próprio site da Ultra destaca a Série A.
O que o robô faz
O produto é o Operator, ou OP1, um robô estacionário para tarefas repetitivas de armazém: embalar pedidos, separar itens e montar kits. Segundo a SiliconANGLE, ele fica sobre uma base com rodas, é empurrado manualmente entre as seções e é ligado em tomada comum, sem baterias para trocar. A RuntimeWire acrescenta que, segundo a Ultra, o robô ocupa cerca de 1,5 m por 1,5 m e carrega até 10 libras (cerca de 4,5 kg). A empresa afirma que ele é instalado em poucas horas e processa até mil itens por dia, números que não foram verificados de forma independente.
Quão perto está do uso real
Aqui não se trata de protótipo. O OP1 já trabalha em operações de clientes nos Estados Unidos, e a Ultra diz que seus robôs embalaram mais de 500 mil pedidos. O número é cumulativo e informado pela própria empresa, que não divulgou quantos robôs estão instalados nem a receita por unidade. Entre os clientes citados estão Manifest, Highline Commerce e ShipsaLot, segundo a RuntimeWire.
O modelo de negócio é o de robô como serviço: o cliente paga uma taxa de integração e depois uma mensalidade pelo hardware e pelo suporte de software, sem comprar o equipamento. À Fortune, o CEO e cofundador Jon Miller Schwartz disse que a receita é significativa, sem informar valores, e que a demanda permitiu subir preços.
A divisão entre corpo e cérebro
A Ultra constrói, instala e mantém os robôs, enquanto a Physical Intelligence, avaliada em US$ 5,6 bilhões segundo a Fortune, fornece os modelos que permitem ao robô se adaptar a cada operação. Em troca, a parceira recebe dados de uso fora do laboratório para treinar os modelos. A RuntimeWire cita um relato da Physical Intelligence de fevereiro de 2026 em que o modelo operou um robô da Ultra embalando pedidos durante um turno inteiro com 96,4% de autonomia, com pessoas intervindo quando o sistema errava. É um resultado informado pela parceira, em uma implantação específica, e não vale automaticamente para todos os clientes.
Obstáculos
- Escala: o desafio é instalar e dar suporte a muitos robôs sem corroer a margem do contrato mensal.
- Transparência: não há números públicos de frota, receita ou taxa de intervenção humana por cliente.
- Alcance: as implantações divulgadas estão nos Estados Unidos; não há anúncio para o Brasil.
Schwartz argumenta que robôs não humanoides, como o OP1, já fazem trabalho útil, e estimou à Fortune que humanoides devem levar cerca de cinco anos para chegar a uma escala parecida. É uma projeção do executivo, não um compromisso de prazo.
Fontes
- Ultra (site oficial) — Ultra raises $50M Series A to scale the robotic fleet (consultado em 10/10/2026)
- Fortune — Ultra raises $62 million for fast-growing ‘robots as a service’ business, announces tie-up with AI research firm Physical Intelligence (09/10/2026)
- SiliconANGLE — Warehouse robot maker Ultra Robotics bags $62M (09/10/2026)
- RuntimeWire — Ultra raises $50M to put warehouse robots on more floors (09/10/2026)
Imagem destacada: ilustração gerada por computador, sem valor documental.


