Google Cloud promete dobrar infraestrutura no Brasil até 2030 e leva GPUs Blackwell a São Paulo
Em 24/9, o Google Cloud anunciou GPUs Blackwell em São Paulo, processamento local do Gemini Enterprise a partir de 15/10 e plano de dobrar a estrutura.
O Google Cloud anunciou em 24 de setembro de 2026, durante o Google Cloud Brazil Summit, em São Paulo, que espera dobrar sua infraestrutura técnica no Brasil até 2030. Segundo o comunicado da empresa, a expansão inclui mais capacidade local de computação, armazenamento e processamento de inteligência artificial. Duas medidas têm efeito imediato ou próximo: máquinas virtuais com GPUs da NVIDIA já disponíveis na região de nuvem de São Paulo e o processamento de dados do Gemini Enterprise dentro do país a partir de 15 de outubro.
GPUs na região de São Paulo
As máquinas virtuais G4, equipadas com GPUs NVIDIA RTX PRO 6000 Blackwell Server Edition, passaram a ser oferecidas na região de nuvem de São Paulo. A empresa diz que elas atendem cargas de inferência pesadas e em tempo real perto dos usuários e dos dados. Para quem desenvolve ou opera modelos no país, isso reduz a dependência de regiões no exterior, o que pode diminuir latência e facilitar o cumprimento de exigências de localização de dados.
Dados do Gemini processados no Brasil
A partir de 15 de outubro, a versão web do Gemini Enterprise, plataforma corporativa de agentes de IA do Google, passará a processar dados no Brasil quando usar o modelo Gemini 3.5 Flash. A plataforma já oferecia a opção de armazenar no país dados de clientes usados por agentes. A empresa apresenta a mudança como forma de ajudar empresas a atender requisitos regulatórios e de soberania de dados. A Bloomberg Línea lembra que, segundo o Ministério da Fazenda, 60% do consumo de dados dos brasileiros é processado fora do país, principalmente nos Estados Unidos.
O anúncio tem limites claros: vale para a versão web e para um modelo específico. O comunicado não detalha se outros modelos, interfaces ou APIs terão o mesmo tratamento.
Valor não divulgado e concorrência
O Google não informou quanto vai investir. Segundo a Bloomberg Línea, a empresa mantém a prática de não abrir valores; no primeiro ciclo no país, entre 2017 e 2022, a divisão de nuvem aportou cerca de R$ 1,6 bilhão. Executivos disseram ao veículo que o aumento de capacidade pode envolver novos data centers ou tecnologias mais densas, que ocupam menos espaço. “Esses investimentos são uma resposta à demanda dos nossos clientes e à evolução do mercado”, afirmou Milena Leal, country manager do Google Cloud no Brasil.
A disputa é intensa. A mesma reportagem cita o plano da AWS de investir US$ 11 bilhões em data centers no Brasil, no México e no Chile e o aporte de R$ 14,7 bilhões da Microsoft, que inaugurou dois data centers no país em janeiro.
Outros anúncios
No evento, o Google Cloud também apresentou novos recursos para agentes no Gemini Enterprise, como espaços de trabalho persistentes, um registro central de habilidades e um ambiente isolado para agentes executarem código e navegarem na web, além de novidades de segurança. A empresa divulgou uma pesquisa encomendada à IDC e à Provokers segundo a qual 62% das organizações brasileiras implementam ou aceleram o uso de agentes de IA, mas só 17% consolidaram essa adoção com governança. Também prometeu 10 mil vouchers gratuitos de certificação para desenvolvedores brasileiros.
Fontes
- Google Cloud (Press Corner) — Google Cloud Expands in Brazil to Power the Next Generation of Agentic AI (24/09/2026)
- Bloomberg Línea — Google Cloud vai dobrar infraestrutura no Brasil até 2030 com aumento de demanda por IA (24/09/2026)
Imagem destacada: ilustração gerada por computador, sem valor documental.


