Claro conclui compra do controle da Desktop e pede à CVM oferta para tirar a empresa do Novo Mercado
Claro NXT pagou R$ 1,747 bilhão por 72,83% da provedora em 1º/10 e protocolou OPA unificada em 2/10; em SP, passa a disputar a liderança com a Vivo.
A Claro assumiu o controle da Desktop, provedora de banda larga do interior paulista. Segundo fato relevante da Desktop de 1º de outubro de 2026, a Claro NXT concluiu nessa data a compra de 84.684.273 ações ordinárias, cerca de 72,83% do capital, de vendedores que incluem o fundo Makalu e o fundador Denio Alves Lindo. O preço total informado é de R$ 1,747 bilhão, ou R$ 20,63 por ação, sujeito a ajustes de endividamento previstos no contrato.
No mesmo dia, a diretoria da Desktop foi substituída: Rodrigo Marques de Oliveira assumiu como diretor-presidente e Roberto Catalão Cardoso como diretor financeiro e de relações com investidores.
Oferta pelas ações restantes
Segundo o Atlas Público, que reproduz fato relevante da Claro de 5 de outubro, a Claro NXT protocolou na CVM em 2 de outubro o pedido de registro de uma oferta pública unificada pelas ações que ainda estão no mercado. A oferta reúne três finalidades: a OPA obrigatória por alienação de controle, a conversão do registro da Desktop da categoria A para a B e a saída do Novo Mercado da B3. A carta da Claro NXT anexada ao fato relevante da Desktop de 1º de outubro diz que o preço por ação será igual ao pago aos vendedores, considerados os ajustes, e que a compradora pode desistir das ofertas de conversão e de saída do Novo Mercado, mantendo apenas a OPA por alienação de controle.
O caminho até aqui
O negócio foi celebrado em março e recebeu anuência prévia da Anatel em maio. Em 11 de setembro, a Superintendência-Geral do Cade aprovou a operação sem restrições, segundo o Teletime. Na assinatura, a transação havia sido avaliada em R$ 4 bilhões, incluindo pagamento de R$ 2,4 bilhões e assunção de dívida líquida de R$ 1,6 bilhão; os documentos de fechamento não detalham como esse valor se compara ao preço pago agora pelas ações alienadas.
O Cade identificou sobreposição em 198 municípios paulistas e concluiu que a presença de concorrentes locais e nacionais reduzia o risco de abuso de poder de mercado. Pelos dados da Anatel de julho citados pelo Teletime, a Claro tinha 10,8 milhões de acessos de banda larga fixa (19,1% do mercado) e a Desktop, quase 1,2 milhão (2,1%); juntas, passam de 21%, à frente da Vivo, com 8,4 milhões (15%).
O que muda em São Paulo
O efeito mais forte é estadual. Segundo o Estadão, a Claro tinha 4,5 milhões de clientes de banda larga em São Paulo (28,3%), contra 4,9 milhões da Vivo (31%), e a Desktop somava 7,6% do mercado paulista. Com a compra, a Claro passa a disputar a liderança no estado. O jornal lembra que, em outubro de 2025, uma análise preliminar da Anatel havia apontado possíveis efeitos negativos sobre a concorrência. Para os clientes da Desktop, o fato relevante não detalha mudanças em planos, marca ou atendimento; na mesma carta, a Claro NXT diz que o objetivo é integrar a base de clientes à sua operação de banda larga fixa.
Fontes
- Desktop S.A. (fato relevante) — Material Fact — fechamento da operação com a Claro NXT (01/10/2026)
- Atlas Público — Claro NXT protocola oferta unificada por ações da Desktop (05/10/2026)
- Teletime — Cade aprova compra da Desktop pela Claro (11/09/2026)
- Estadão — Claro recebe aval do Cade para comprar Desktop por R$ 4 bilhões e avançar em SP (13/09/2026)
Imagem destacada: ilustração gerada por computador, sem valor documental.


