Remessas de PCs caem cerca de 20% no 3º trimestre com escassez de memória, dizem IDC e Omdia
IDC conta 62,7 milhões de PCs, queda de 20,1%; Omdia vê memória e SSD subirem de 15% para quase 40% do custo de um computador.
As remessas mundiais de computadores caíram cerca de 20% no terceiro trimestre de 2026 na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo estimativas preliminares divulgadas em 8 e 9 de outubro pelas consultorias IDC e Omdia. As duas atribuem a queda à escassez de memória e de outros componentes, provocada pela demanda de data centers de IA, e ao estoque que fabricantes e lojas acumularam no primeiro semestre para fugir dos aumentos de preço.
Os números
Pela IDC, foram 62,7 milhões de PCs no trimestre, queda de 20,1% sobre um ano antes e de 9,1% sobre o segundo trimestre, conforme relataram o Engadget e o Tom’s Hardware. Segundo a PCMag, é a maior queda anual já registrada pela consultoria num terceiro trimestre, período que costuma superar o segundo por causa dos lançamentos para o fim de ano. Jitesh Ubrani, diretor de pesquisa da IDC, lembrou à publicação que houve quedas maiores no fim de 2022 e começo de 2023, depois do pico da pandemia.
A Omdia chegou a 58,1 milhões de desktops, notebooks e estações de trabalho, queda de 21,2%. Os notebooks recuaram 20,6%, para 46,4 milhões, e os desktops, 23,5%, para 11,7 milhões. A diferença entre as duas estimativas vem de metodologias e recortes distintos de cada consultoria; as duas apontam a mesma direção.
Entre os fabricantes, a Lenovo seguiu na liderança. Pelos números da IDC citados pelo Tom’s Hardware, ela caiu 22,6%, a HP 30,9% e a Dell 25%, enquanto Apple e Asus tiveram as menores perdas, de 11,3% e 8,6%. A Omdia também aponta a HP com a maior queda entre os líderes, de 31%, e a Asus com a menor.
Memória chega a quase 40% do custo
O dado mais concreto sobre a origem do problema vem da Omdia. Segundo o analista Ben Yeh, a fatia da DRAM e dos SSDs no custo de um PC passou de cerca de 15% para quase 40%, com preços mais de quatro vezes maiores. A consultoria diz que, além de memória e armazenamento, faltam processadores, placas de vídeo e vários outros circuitos integrados, e que fabricantes e seus parceiros de produção começaram a reduzir a produção no trimestre.
Ubrani, da IDC, disse que o mercado sente o efeito da antecipação de compras no primeiro semestre e que os canais de venda agora temem ficar com estoque demais. Isso pode gerar promoções e algum alívio de curto prazo, mas, segundo ele, os preços não devem voltar ao nível de um ano atrás e devem continuar altos. A IDC vê risco de piora nos próximos trimestres.
O que esperar
A Omdia projeta queda de 24% no quarto trimestre e de mais 7% em 2027. São projeções das consultorias, que dependem da oferta de memória. Do lado dos fornecedores, o presidente-executivo da Micron afirmou no fim de setembro, segundo a PCMag, que a escassez deve se agravar e persistir em 2027 e 2028. Já o presidente da Acer, Jason Chen, citado pelo Tom’s Hardware, avalia que os temores são exagerados e prevê queda nos preços de PCs no segundo semestre de 2027, quando nova capacidade chinesa de memória entrar em operação.
Os números são globais e preliminares. As fontes consultadas não trazem dados do Brasil, onde os preços dependem também de câmbio, impostos e estoques locais.
Fontes
- Omdia — Global PC shipments fall 21% in 3Q26 as pull-forward demand subsides (09/10/2026)
- Engadget — IDC: Worldwide PC shipments in Q3 fell 20 percent from last year (08/10/2026)
- Tom's Hardware — PC shipments tumble over 20% in 3Q26 as chip shortages bite (09/10/2026)
- PCMag — With 20% Dip, Q3 Was a Historically Bad Quarter for PC Shipments (09/10/2026)
Imagem destacada: ilustração gerada por computador, sem valor documental.


