Site Local

Portal de notícias de tecnologia

Claude projeta ligantes de proteínas para 14 de 15 alvos em teste validado por laboratórios externos

A Anthropic diz que o Claude obteve 354 ligantes em 1.320 desenhos, com taxa de acerto de 22% a 35%. O teste mediu só a ligação, não o efeito biológico.

Claude projeta ligantes de proteínas para 14 de 15 alvos em teste validado por laboratórios externos

A Anthropic publicou em 18 de agosto de 2026 os resultados de laboratório de uma campanha em que modelos Claude projetaram proteínas ligantes, moléculas desenhadas para se prender a uma proteína-alvo. Esse é um dos passos iniciais da descoberta de medicamentos. Segundo o relato da empresa, o Claude Mythos Preview e o Claude Opus 4.8 desenharam ligantes contra 15 alvos e tiveram sucesso em 14. Das 1.320 sequências enviadas ao laboratório, 354 se ligaram ao alvo.

O que foi medido e em quais condições

Os desenhos foram sintetizados e testados por dois laboratórios contratados, a Adaptyv Bio e a Twist Bioscience, que a Anthropic chama de avaliadores externos. Projetando para todos os alvos ao mesmo tempo, numa sessão de 48 horas, o Mythos Preview teve taxa de acerto de 26,7% e o Opus 4.8, de 22,6%. No modo de um alvo por vez, com sessões de 24 horas, o Mythos Preview chegou a 35,1%. A empresa compara esses números com a faixa de 10% a 15% que considera típica em campanhas de design de proteínas. Ainda segundo a Anthropic, houve ligantes de alta afinidade contra pelo menos seis alvos e, em pelo menos quatro, resultados iguais ou melhores que a melhor afinidade já publicada.

O Claude não é um modelo de proteínas. Ele orquestrou ferramentas especializadas de design e dobramento já existentes, com até 12.500 horas de GPUs NVIDIA H100 no modo multialvo, acesso à internet e um prompt extenso de design de proteínas. A Anthropic publicou um relatório técnico e um conjunto de dados público. Em post de 20/8, a Adaptyv Bio descreveu seu processo: síntese de proteínas sem células em robôs automatizados e medição da afinidade (valor K_D). O laboratório calculou uma taxa média de acerto de 26,8% e disse que, comparados às suas competições de design de proteínas, os desenhos teriam vencido 5 de 6. A Adaptyv fala em 16 alvos enviados; a Anthropic considera 15 alvos interpretáveis.

Limites do resultado

O site independente Ground Truth destacou a ressalva que a própria Anthropic faz no relatório: o teste mediu ligação, não função. Nenhum desenho foi testado quanto à atividade biológica, e nenhuma estrutura foi resolvida experimentalmente; as poses mostradas nas figuras são previsões. Também foram pessoas que escolheram os alvos, escreveram o protocolo, forneceram computação e credenciais e encomendaram a síntese. Ou seja, o trabalho é mais autônomo que um assistente de código, mas está longe de um laboratório autônomo de descoberta de remédios. Um ligante que se prende bem a um alvo ainda precisa passar por muitas etapas antes de virar candidato a medicamento.

Química analítica com o Opus 5

No mesmo texto, a Anthropic relata um segundo teste com o Claude Opus 5, modelo disponível comercialmente. A partir de arquivos brutos de RMN e LC-MS de um laboratório terceirizado e de um prompt de duas frases, o modelo entregou análises em 23 e 19 minutos. Segundo a empresa, os resultados coincidiram com os do laboratório na contagem de hidrogênios e na pureza (96,4% contra 96,33%). Trata-se de um exemplo isolado divulgado pela fabricante, não de uma avaliação sistemática.

Fontes

Imagem destacada: ilustração gerada por computador, sem valor documental.

Deixe comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos necessários são marcados com *.

Fique por dentro

As principais notícias de tecnologia, todos os dias

Siga o portal nas redes sociais e acompanhe IA, cibersegurança, cloud, hardware e o mercado de tecnologia em primeira mão.