Mojo abre o código do compilador sob Apache 2.0 e, no Mojo 1.1, passa a aceitar contribuições externas
Depois do Mojo 1.0, a Modular, agora da Qualcomm, publicou o compilador e o toolchain. Desde 17/9, o compilador aceita contribuições de fora.
A Modular abriu em 18 de agosto de 2026 o código-fonte completo do compilador e do toolchain do Mojo, sua linguagem de programação de sistemas voltada a GPUs e aceleradores de IA. Segundo o anúncio da empresa, tudo foi publicado no repositório modular/modular no GitHub, sob a licença Apache 2.0 com exceções LLVM. A abertura veio uma semana depois do Mojo 1.0, que trouxe estabilidade de código-fonte.
O que muda
Nos quatro anos anteriores, o Mojo era desenvolvido com uma comunidade aberta, mas com compilador fechado. A biblioteca padrão já era aberta e aceitava contribuições desde 2024, e a empresa também havia publicado centenas de milhares de linhas de kernels escritos em Mojo. Segundo a Modular, as exceções LLVM ampliam a liberdade de distribuir binários compilados com a linguagem.
Para compilar a partir do código, o anúncio indica clonar o repositório e rodar ./bazelw run --config=build-mojo KGEN:mojo -- run hello.mojo. A opção --config=prebuilt-mojo baixa o binário noturno para quem não vai mexer no compilador. A empresa avisa que um compilador pré-compilado ainda é necessário para personalizar kernels ou modelos do MAX, sua plataforma de inferência.
Contribuições, um mês depois
No anúncio de agosto, a Modular disse que ainda não aceitaria contribuições ao compilador, citando a necessidade de lidar com elas de forma cuidadosa “na era da programação com IA”. A meta era abri-las até o fim do ano. A mudança veio antes: no Modular 26.6, de 17 de setembro, o Mojo 1.1 passou a aceitar contribuições ao compilador, e as issues internas foram migradas para issues públicas no GitHub. O Mojo 1.1 também traz compilação mais rápida em conversões implícitas, sugestões do LSP para erros de digitação e inferência de tipo contextual: DType.float32 pode ser escrito como .float32 quando o tipo é dedutível. O código do compilador e da biblioteca padrão foi reunido num diretório único.
Contexto
A Phoronix destacou que a abertura veio logo após a compra da Modular pela Qualcomm, concluída em 29 de julho segundo a própria empresa, e disse que não esperava esse movimento por causa do histórico irregular da Qualcomm com código aberto. O site lembra que a Modular foi fundada por Chris Lattner, criador do LLVM e do Swift, que o Mojo roda em macOS e Linux, que o suporte a Windows está em desenvolvimento e que a linguagem permite chamar Python a partir do Mojo e vice-versa.
Para quem avalia o Mojo, a combinação de versão 1.0 com estabilidade de código, compilador aberto e contribuições abertas reduz o risco de depender de uma ferramenta controlada por um único fornecedor. A governança, porém, continua com a Modular.
Fontes
- Modular (blog oficial) — Mojo🔥 is now open source! (18/08/2026)
- Modular (blog oficial) — Modular 26.6: Open compiler contributions, audio generation, and expanded model support (17/09/2026)
- Phoronix — Modular’s Mojo Language Now Open-Source Following Qualcomm Acquisition (18/08/2026)
Imagem destacada: ilustração gerada por computador, sem valor documental.


