JLL: Brasil caminha para recorde de entregas de data centers em 2026, com vacância de 4%
Relatório de 14/08/2026 cita 106 MW no 1º semestre, mais 134 MW até dezembro e ~US$ 8 bi no ciclo; SP/Campinas concentram a operação.
A consultoria JLL publicou em 14 de agosto de 2026 o relatório Data Center Brasil 2026 apontando ano recorde de entregas: 106 MW entraram no primeiro semestre e outros 134 MW estavam previstos até dezembro, com investimento aproximado de US$ 8 bilhões associado a esse ciclo, e vacância nacional de 4%. Os números constam do insight da JLL.
Onde está a capacidade
Segundo a Exame, que teve acesso a dados da pesquisa, São Paulo & Barueri e Campinas somavam 585 MW instalados (269 MW e 316 MW) de um total operacional de 706 MW no país. A vacância era de 6% em São Paulo & Barueri e de 1% em Campinas, contra 25% em Fortaleza e 40% em Porto Alegre nos submercados citados.
Das 106 MW entregues no semestre, 75 MW vieram de Campinas — inclusive 20 MW da Ascenty em Vinhedo — e 31 MW de São Paulo & Barueri. A JLL projeta que o mercado pode dobrar até 2030, com 660 MW em construção e cerca de US$ 17,4 bilhões em investimentos, além de 4.621 MW em pipeline. Fortaleza aparece com 227 MW em construção, em grande parte pré-locados, segundo a JLL.
Preço e leitura de mercado
A Exame informa aluguel varejo médio (contratos abaixo de 250 kW) de US$ 338/kW ao mês em São Paulo & Barueri e US$ 320 em Campinas, abaixo de Fortaleza (US$ 385) e Porto Alegre (US$ 333) na amostra. Bruno Porto, da JLL, atribui o atrativo a energia limpa e barata, mercado consumidor e amadurecimento regulatório — afirmações da consultoria, não medições independentes nesta reportagem.
Cuidados
MW entregues, em construção e em pipeline são categorias distintas; pipeline não é capacidade ligada. Os US$ 8 bilhões e US$ 17,4 bilhões são estimativas da JLL, não valores já desembolsados comprovados contrato a contrato. Não fazemos conversão para reais.
Como ler os megawatts
Relatórios imobiliários de data center misturam estoque operacional, construção e pipeline. Os 106 MW entregues no semestre são o dado mais concreto do ciclo; os 134 MW até dezembro eram previsão na data do estudo; os 4.621 MW de pipeline incluem projetos em estágios iniciais que podem ser adiados. Da mesma forma, pré-locação de 56% do estoque em construção indica demanda, mas não revela preços finais nem cláusulas take-or-pay.
A concentração em São Paulo/Barueri e Campinas, com vacância baixíssima, ajuda a explicar por que hyperscalers continuam absorvendo oferta no eixo paulista enquanto Fortaleza aparece como polo emergente de grande porte. Para política industrial e energia, o relatório da JLL é um termômetro de mercado, não um inventário regulatório: não substitui outorgas, conexões elétricas nem o enquadramento do Redata, tratado em outra notícia desta edição.
Fontes
- JLL (Rafael Picerni) — Relatório sobre Data Centers no Brasil aponta crescimento recorde em 2026 (14/08/2026)
- Exame (Tamires Vitorio) — São Paulo e Campinas concentram a força dos data centers no Brasil (26/08/2026)
Imagem destacada: ilustração gerada por computador, sem valor documental.


