Netflix cresce 13% no 2º trimestre, projeta 3º tri abaixo do mercado e passa a divulgar audiência só uma vez por ano
Receita de US$ 12,56 bi em abril–junho; projeção de US$ 12,86 bi para o 3º trimestre frustrou analistas, e relatório de audiência vira anual.
A Netflix divulgou em 16 de julho de 2026 o balanço do segundo trimestre: receita de US$ 12,56 bilhões, alta de 13% sobre o mesmo período de 2025 (12% sem efeito cambial), e margem operacional de 33,4%, segundo a carta aos acionistas anexada ao formulário 8-K entregue à SEC. O resultado veio dentro do previsto pela própria empresa, mas a projeção para o terceiro trimestre ficou abaixo do que o mercado esperava.
Os números do trimestre
O lucro operacional foi de US$ 4,2 bilhões, 11% acima do ano anterior, e o lucro por ação diluído chegou a US$ 0,80, contra US$ 0,72 no segundo trimestre de 2025. A margem recuou em relação aos 34,1% de um ano antes; a empresa atribui isso à amortização de conteúdo, que cresce mais rápido no primeiro semestre. Todas as regiões cresceram dois dígitos, e a América Latina passou de US$ 1,5 bilhão de receita no trimestre.
Para julho a setembro, a Netflix projetou receita de US$ 12,86 bilhões e lucro por ação de US$ 0,82. Segundo a Variety, analistas consultados pela LSEG esperavam cerca de US$ 13 bilhões, e as ações chegaram a cair 9% no pregão estendido. Para 2026, a faixa de receita foi estreitada para US$ 51,0 bilhões a US$ 51,4 bilhões, com margem operacional de 31,5%.
Relatório de audiência passa a ser anual
A mudança com mais efeito para quem acompanha o mercado de streaming é editorial: depois do relatório “What We Watched” do primeiro semestre, a empresa vai publicar esses dados de horas assistidas apenas uma vez por ano, no primeiro trimestre, a partir de 2027. Na carta, a justificativa é manter o foco em receita e lucro operacional. As listas semanais de Top 10 continuam. A Variety registra que as horas de visualização cresceram 2% no primeiro semestre de 2026.
Ao vivo, anúncios e IA generativa na produção
A carta traz números úteis sobre operação. Em 2026, a programação ao vivo deve responder por pouco mais de 5% do gasto com conteúdo, mas só por cerca de 1% das horas assistidas; ainda assim, eventos ao vivo aparecem entre os dias de maior entrada de assinantes. Na publicidade, a empresa mantém a meta de aproximadamente US$ 3 bilhões em receita de anúncios no ano e diz ter estendido neste verão do hemisfério norte o acesso programático aos Pause Ads e ao inventário ao vivo, o que reduz trabalho manual na compra de mídia.
Sobre produção, a Netflix afirma que fluxos com IA generativa foram usados em cerca de 300 títulos em 2026, com maior concentração na pós-produção. Entre os exemplos citados está a produção brasileira “Brasil 70: A Saga do Tri”, que teria usado essas ferramentas em sequências complexas, como multidões ampliadas. Essas informações são da própria empresa e não foram verificadas de forma independente.
O que fica em aberto
O fluxo de caixa livre do trimestre foi de US$ 1,5 bilhão, abaixo dos US$ 2,3 bilhões de um ano antes, em parte por impostos mais altos ligados à multa rescisória (termination fee) relacionada à Warner Bros., segundo a carta. A empresa manteve a previsão de cerca de US$ 12,5 bilhões de fluxo de caixa livre em 2026 e recomprou US$ 4,7 bilhões em ações no trimestre. As metas anuais são projeções da companhia, e o resultado do terceiro trimestre só será conhecido na próxima divulgação.
Fontes
- Netflix — Carta aos acionistas do 2º trimestre de 2026 (PDF) (16/07/2026)
- SEC / Netflix — Formulário 8-K de 16/07/2026 (16/07/2026)
- Variety (Todd Spangler) — Netflix Q2 Earnings Results In-Line With Expectations, Stock Drops on Lower Q3 Revenue Outlook (16/07/2026)
Imagem destacada: ilustração gerada por computador, sem valor documental.


