Oracle leva gás natural por caminhão a data centers para não atrasar a capacidade da OCI, diz Bloomberg
Gás comprimido em carretas mantém obras em Utah e no Texas enquanto gasodutos atrasam; Oracle avalia o mesmo no Jupiter, a custo cerca de 4 vezes maior.
A Oracle tem levado gás natural comprimido em caminhões até data centers que ainda não estão ligados a gasodutos, para manter as obras e a oferta de capacidade de nuvem no cronograma. A informação foi publicada pela Bloomberg na quinta-feira, 8 de outubro de 2026, com base em pessoas a par do assunto, e reproduzida pelo SupplyChainBrain. Segundo a reportagem, a estratégia sustentou por mais de um ano um data center nos arredores de Salt Lake City, em Utah, e está sendo usada nas obras iniciais de um campus construído para a OpenAI no condado de Shackelford, no Texas.
O que a Oracle confirmou
A Oracle não respondeu ao pedido de comentário da Bloomberg. Pouco depois de recebê-lo, publicou no X, às 20h15 de 7 de outubro no horário de Manaus: “Agradecemos à equipe da VoltaGrid por encontrar soluções de energia com bom custo-benefício para garantir que nossos clientes possam acessar a capacidade da OCI no prazo”. OCI é a Oracle Cloud Infrastructure. A mensagem não menciona caminhões nem gás. Segundo a reportagem, a VoltaGrid fornece o gás no Texas e a Certarus, da Superior Plus, abastecia o projeto de Utah. As ações da Oracle caíram 5,5% no dia, para US$ 135,69, a maior queda diária desde 16 de julho.
Project Jupiter e o atraso do gasoduto
O caso mais sensível é o Project Jupiter, campus da Oracle no Novo México, que a empresa avalia abastecer por caminhões até que o gasoduto fique pronto. Segundo o Blockspace (9/10), o projeto prevê até 2,45 GW em células a combustível da Bloom Energy movidas a gás, e o gasoduto Green Chile, da Energy Transfer, teve a entrada em operação adiada de 15 de agosto de 2026 para 1º de fevereiro de 2027, depois que a agência de terras do estado recusou duas vezes a passagem pelo traçado original. A Bloomberg informa que a Oracle enviou no mês passado uma notificação de força maior ao desenvolvedor do projeto, o que pode protegê-la de alguns pagamentos se houver novos atrasos.
Quanto custa e quanto aguenta
Levar gás por estrada é caro. Considerando mão de obra, equipamento e o combustível dos próprios caminhões, o custo final fica perto de quatro vezes o preço do gás em um grande hub de gasodutos, estimou à Bloomberg Jack Weixel, da East Daley Analytics. A escala também pesa: se apenas 100 MW, cerca de 4% dos 2,45 GW previstos para o Jupiter, dependessem desse método, cada carreta grande forneceria energia para uns 40 minutos, calculou Ellie Holbrook, da SemiAnalysis. O Blockspace ressalva que esse número é uma hipótese, não uma carga informada pela Oracle.
Para quem contrata nuvem, a notícia mostra que a capacidade nova de IA depende cada vez mais de energia, e não só de chips e prédios. A solução provisória ajuda a cumprir prazos de entrega, mas tem custo mais alto e logística frágil, com entregas constantes ao longo do dia. A Oracle não divulgou quanto da capacidade da OCI depende desse arranjo, por quanto tempo ele será usado nem se o custo extra afeta preços ou contratos. O The Next Web (8/10) lembra que o gargalo de energia também atinge projetos na Europa, onde redes como a da Dinamarca suspenderam novas conexões.
Fontes
- SupplyChainBrain (Bloomberg) — Oracle Moves Gas by Trucks to Avoid Data Center Power Delays (09/10/2026 (reportagem da Bloomberg de 08/10))
- Oracle no X — Post sobre a VoltaGrid e a capacidade da OCI (07/10/2026, 20h15 (Manaus))
- Blockspace — Oracle trucks natural gas to data centers to bridge pipeline delays: Bloomberg (09/10/2026)
- The Next Web — Oracle moves gas by trucks to keep its AI data centres on schedule (08/10/2026)
Imagem destacada: ilustração gerada por computador, sem valor documental.


