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Oratomic chega a US$ 775 milhões para construir computador quântico de átomos neutros, mas a máquina ainda não existe

Startup de Pasadena, fundada em março, aposta que 10 mil qubits bastam para um computador quântico útil; meta é o fim da década, sem garantia.

Oratomic chega a US$ 775 milhões para construir computador quântico de átomos neutros, mas a máquina ainda não existe

A Oratomic, startup de Pasadena, na Califórnia, que quer construir um computador quântico tolerante a falhas, anunciou em 8 de outubro de 2026 que já levantou US$ 775 milhões desde sua fundação, em março. Segundo o comunicado da empresa, o financiamento foi liderado por ARCH Venture Partners, Spark Capital, Khosla Ventures, Index Ventures, General Catalyst e Bezos Expeditions. A SiliconANGLE informa que a rodada mais recente, uma Série B, foi de US$ 475 milhões, três meses depois de uma Série A de US$ 300 milhões.

Em que estágio está

Está na fase de pesquisa e engenharia. A Oratomic ainda não tem um computador quântico funcionando nem produto à venda. Ela diz que o dinheiro vai para ampliar a equipe científica e de engenharia, a infraestrutura de laboratório e os sistemas necessários para construir a máquina. Segundo a SiliconANGLE, a avaliação da empresa passou de US$ 1,5 bilhão para US$ 5,5 bilhões; o título da reportagem exclusiva do Wall Street Journal fala em US$ 5,4 bilhões, e a companhia não confirmou o valor no comunicado.

A aposta técnica

A empresa usa átomos neutros presos e reposicionados por feixes de laser focalizados, as chamadas pinças ópticas. Como os átomos podem mudar de lugar durante o cálculo, qualquer qubit pode interagir com qualquer outro, o que barateia a correção de erros, etapa sem a qual um computador quântico não supera um computador comum.

No lançamento, em 30 de março, a Oratomic e pesquisadores do Caltech divulgaram um estudo segundo o qual um computador quântico útil, capaz até de ameaçar a criptografia atual, poderia ser construído com cerca de 10 mil qubits, contra estimativas anteriores da ordem de 1 milhão. O cofundador Manuel Endres já prendeu matrizes com cerca de 6 mil átomos. A conta dos 10 mil qubits é uma projeção teórica da própria equipe; ainda falta demonstrá-la em hardware.

Entre os fundadores estão o CEO Dolev Bluvstein, Endres e o físico John Preskill, do Caltech. Segundo a Index Ventures, uma das investidoras, que descreveu a tese em texto publicado no mesmo dia, Bluvstein liderou em Harvard o grupo que rodou um algoritmo quântico capaz de corrigir os próprios erros em uma máquina de átomos neutros.

Obstáculos e incertezas

  • Prazo: no lançamento, Bluvstein disse ser plausível, mas não garantido, ter um computador tolerante a falhas até o fim da década.
  • Aplicações: à reportagem do WSJ, citada pela SiliconANGLE, ele admitiu que ainda não se sabe quais serão os modelos de negócio nem as aplicações exatas.
  • Engenharia: sair de alguns milhares de átomos para uma máquina estável e barata de fabricar envolve óptica, controle e correção de erros em escala inédita.
  • Segurança: a própria empresa diz que a máquina poria em risco a criptografia atual e defende a migração para criptografia pós-quântica, cuja meta global é 2035.

O dinheiro também segue para outras abordagens. No mesmo dia, a britânica Universal Quantum, que usa íons aprisionados, anunciou uma Série A de mais de US$ 100 milhões, segundo a SiliconANGLE. Para empresas e profissionais de TI, a consequência prática imediata não é usar um computador quântico, que ainda não existe nessa escala, e sim acompanhar o inventário de criptografia e o plano de migração pós-quântica.

Fontes

Imagem destacada: ilustração gerada por computador, sem valor documental.

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