Humanoide da Sharpa passa a preparar sorvete em loja da Dairy Queen em Xangai
Desde 29/08, robô North da Sharpa faz em 55 passos o Blizzard de uma loja real da DQ em Xangai; startup captou mais de 4,5 bilhões de yuans.
A startup de robótica Sharpa colocou em funcionamento, em 29 de agosto de 2026, um robô humanoide que prepara e entrega o sorvete Blizzard em uma loja da Dairy Queen (DQ) na rua Wujiang, no distrito de Jing’an, em Xangai, na China. A loja pertence à rede operada pelo CFB Group, franqueado da marca no país. Na véspera, a Sharpa anunciou uma rodada de investimento de mais de 4,5 bilhões de yuans.
O que o robô faz
Segundo a página do projeto, o humanoide North executa cada pedido como uma sequência de 55 passos de manipulação, do recebimento à entrega, sem cortes. Entre eles estão abrir um armário por uma maçaneta estreita, que não foi adaptada para robôs, segurar o anel metálico contra o copo de papel durante a mistura, contar as três porções de biscoito triturado previstas na receita e virar o copo de cabeça para baixo sem derrubar o sorvete, o gesto típico do produto. A empresa afirma que o robô usa os equipamentos, ingredientes e processos já existentes na loja, sem modificações. O comunicado do CFB Group, de 28 de agosto, descreve ainda um segundo robô, que recepciona os clientes e distribui balões.
A Sharpa diz não ter treinado a receita como um procedimento fechado, mas como combinação de habilidades reutilizáveis, como abrir armários, separar copos, alinhar, misturar e entregar, para reduzir o trabalho de implantação em novos ambientes. A empresa fabrica mãos robóticas com sensores táteis: segundo a The Insight, a mão Wave tem 22 graus de liberdade ativos, o North tem 70 graus de liberdade no corpo inteiro e o controle usa um modelo próprio de manipulação fina, o CraftNet.
Estágio: operação real, mas em uma única loja
É mais do que uma demonstração de laboratório: o robô atende pedidos reais, e, segundo a DealStreetAsia, a loja funciona diariamente das 10h às 22h. Mas os dados públicos se referem a um único ponto e vêm da própria empresa. A The Insight relata que, em uma demonstração, a sequência completa levou cerca de 6,5 minutos, aproximadamente metade da eficiência de um funcionário humano. Não foram divulgados números sobre taxa de falhas, intervenções humanas, tempo de máquina parada ou custo por unidade, indicadores que definiriam a viabilidade comercial.
O cofundador David Li disse à imprensa, segundo a DealStreetAsia, que a chave da comercialização não é fazer uma tarefa uma vez, mas executar tarefas complexas de forma consistente em um ambiente real não modificado, por longo prazo. É justamente esse histórico de longo prazo que ainda não existe.
Dinheiro para escalar
A rodada foi divulgada em post da empresa no WeChat e teve participação de Alibaba, Meituan, Tencent, JD.com e Transsion, além de fundos como HongShan e Qiming. A avaliação pós-investimento noticiada pela DealStreetAsia é de 22 bilhões de yuans. Fundada em 2024 pelos três cofundadores da fabricante de sensores lidar Hesai, a Sharpa tem sede em Singapura, escritório na Califórnia e centro de pesquisa e fabricação em Xangai.
A empresa diz que pretende levar a tecnologia a fábricas, lojas e hotéis. Por ora, o caso da DQ mostra uma tarefa longa executada em ambiente comercial sem adaptações físicas; ainda falta evidência independente de confiabilidade em escala e de replicação em outras unidades.
Fontes
- Sharpa — Sharpa x DQ (página do projeto) (29/08/2026)
- CFB Group — DQ携手Sharpa打造全球首个暴风雪机器人餐厅 探索AI+消费服务新场景 (em chinês) (28/08/2026)
- DealStreetAsia (Eudora Wang) — Hesai founders’ Sharpa bags $670m, unveils fully automated robot restaurant (31/08/2026)
- The Insight / Robotics Outlook (Xu Lisi) — Alibaba, Tencent back dexterous robotics startup Sharpa in debut funding round (28/08/2026)
Imagem destacada: ilustração gerada por computador, sem valor documental.


