Tokamak Energy conclui testes do Demo4 com ímãs supercondutores de fusão a 13,7 tesla
Em 09/09, a Tokamak Energy concluiu os testes do Demo4: ímãs supercondutores de fusão chegaram a 13,7 tesla em 14 meses e cerca de 10 mil horas.
A britânica Tokamak Energy concluiu em 9 de setembro de 2026 a campanha de testes do Demo4, um sistema completo de ímãs supercondutores de alta temperatura (HTS) montado na configuração usada em reatores de fusão do tipo tokamak. Ao longo de 14 meses, o conjunto atingiu campo magnético de pico de 13,7 tesla, segundo o comunicado da empresa e a reportagem do The Engineer. A empresa apresentou os resultados na conferência ASC 2026, em Pittsburgh, nos EUA.
O que foi testado
O Demo4 reúne 44 bobinas HTS, organizadas em 14 segmentos de campo toroidal (cada um com duas bobinas) e 2 conjuntos de campo poloidal (cada um com oito), resfriadas com hélio pressurizado a até 20 bar e monitoradas por mais de 600 sensores, com mais de 90 juntas entre as peças, de acordo com a Tokamak Energy. Durante a campanha, o sistema operou com corrente de 5.600 ampères nas bobinas toroidais, temperaturas entre 77 K e 17 K e tensões mecânicas de 150 MPa, somando cerca de 10 mil horas de operação.
A empresa também provocou descargas forçadas com campo de até 12,5 tesla para testar a proteção contra a perda súbita de supercondutividade, um dos riscos mais temidos em ímãs desse tamanho. Segundo o The Engineer, os testes validaram juntas, estabilidade térmica, proteção e operação integrada do sistema.
Por que ímãs importam
Ímãs HTS mais fortes permitem confinar o plasma em máquinas menores, o que pode baratear usinas de fusão. É por isso que o resultado interessa além da própria empresa: a Tokamak Energy é parceira de ímãs do programa britânico STEP, com contrato de 70 milhões de libras até março de 2029, e integra o consórcio Infinity Fusion, ao lado da Type One Energy e da AECOM, segundo o comunicado.
Quão perto do uso real
- Estágio: validação de subsistema em escala de laboratório, não um reator.
- Os números são da Tokamak Energy; o The Engineer reportou os mesmos resultados, sem medição independente.
- Os dados devem orientar o projeto dos ímãs do STEP, cuja usina ainda não foi construída.
- A tecnologia também é oferecida para aplicações comerciais fora da fusão, segundo a empresa.
A campanha resolve uma parte do quebra-cabeça: mostrar que um sistema inteiro de ímãs HTS aguenta campo, corrente, frio e esforço mecânico por milhares de horas. Falta o resto, do plasma à extração de energia, mas a peça que define o tamanho da máquina passou no teste.
Fontes
- Tokamak Energy — Tokamak Energy completes world-leading fusion magnet campaign, validating technology for commercial HTS systems (09/09/2026)
- The Engineer — Tokamak Energy Completes 13.7T Fusion Magnet Tests (09/09/2026)
Imagem destacada: ilustração gerada por computador, sem valor documental.


