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Brasscom projeta 33 mil vagas CLT em TIC em 2026, mas crescimento recente do setor foi puxado por MEIs

Relatório de 07/07 prevê 2,15 milhões de formais no fim do ano; de set/2024 a dez/2025, só 23,7 mil de 125,4 mil novos profissionais foram CLT.

Brasscom projeta 33 mil vagas CLT em TIC em 2026, mas crescimento recente do setor foi puxado por MEIs

O macrossetor de tecnologia da informação e comunicação (TIC) deve criar 33 mil empregos com carteira assinada no Brasil em 2026, segundo projeção da Brasscom, associação das empresas do setor. O número está no relatório “Perspectivas do Mercado de Trabalho do Macrossetor TIC”, divulgado em 7 de julho de 2026 e noticiado pelo Teletime no mesmo dia. O dado mais revelador, porém, olha para trás: a maior parte do crescimento recente do setor aconteceu fora da CLT.

A projeção para 2026

Das 33 mil vagas formais previstas, 23 mil viriam de atividades tradicionais de TIC, como software, serviços, nuvem e hardware; 8,2 mil da chamada TI in house, isto é, profissionais de tecnologia contratados por empresas de outros setores; e 2,3 mil de telecomunicações. Com isso, o macrossetor terminaria o ano com 2,15 milhões de trabalhadores formais, alta de 1,6%. A Brasscom diz ter usado dados públicos da RAIS, do Caged e do IBGE, com metodologia estatística apoiada em aprendizado de máquina.

O crescimento que não virou carteira assinada

Segundo o relatório, o setor ganhou 111,1 mil profissionais entre 2023 e 2025, e 55,6% desse acréscimo veio de microempreendedores individuais (MEIs) e trabalhadores informais. O documento publicado pelo Poder360 compara a projeção anterior da própria entidade com o que ocorreu entre setembro de 2024 e dezembro de 2025: a estimativa era de 30 mil a 147 mil novos empregos CLT, mas o mercado absorveu 125,4 mil profissionais, dos quais apenas 23,7 mil com carteira; outros 88,5 mil entraram como MEIs ou PJs e 13,3 mil como informais. A DCD destacou o mesmo contraste.

Para o trabalhador, a diferença é concreta: contratos como MEI ou PJ costumam significar ausência de férias remuneradas, 13º salário e FGTS, e menor proteção em caso de demissão. Para o setor, a pejotização reduz custo imediato, mas dificulta a retenção e a formação de equipes de longo prazo.

Formação cresce, mas segue desigual

A oferta de profissionais aumentou: o número de graduados em cursos superiores de tecnologia passou de 69,75 mil em 2022 para 89,7 mil em 2023 e 110,9 mil em 2024. Análise e Desenvolvimento de Sistemas respondeu por 40% dos formados no último ano. As mulheres foram 19,2% dos graduados em 2024, avanço de 1,3 ponto percentual sobre o ano anterior.

“Precisamos de políticas públicas que incentivem a contratação CLT e a requalificação, para que o crescimento do setor se traduza em oportunidades de trabalho mais estáveis”, afirmou o presidente executivo da Brasscom, Affonso Nina, segundo o Teletime. Vale lembrar que a Brasscom representa as empresas do setor e que a projeção de 2026 é uma estimativa estatística, não uma contagem; o resultado efetivo só aparecerá nos dados do Caged ao longo dos próximos meses.

Fontes

Imagem destacada: ilustração gerada por computador, sem valor documental.

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