Micron fatura recorde de US$ 54,2 bilhões no trimestre e prevê memória ainda mais escassa até 2028
Resultado divulgado em 30/9 quase quintuplica a receita de um ano antes; empresa diz ter vendido a maior parte da HBM de 2027.
A Micron divulgou em 30 de setembro de 2026 o resultado do quarto trimestre de seu ano fiscal de 2026, encerrado em 3 de setembro, com receita recorde de US$ 54,23 bilhões. O valor é quase cinco vezes os US$ 11,32 bilhões do mesmo período de 2025 e 31% maior que o do trimestre anterior. A fabricante americana de memórias atribui o salto à demanda de data centers de IA e projeta receita ainda maior para os próximos meses.
Os números do trimestre
O lucro líquido contábil foi de US$ 37,70 bilhões no trimestre, e a margem bruta chegou a 86,8% da receita, contra 44,7% um ano antes. No ano fiscal completo, a receita somou US$ 133,19 bilhões, ante US$ 37,38 bilhões no ano anterior. As quatro unidades de negócio cresceram: a de data centers, chamada Core Data Center, faturou US$ 18 bilhões no trimestre, e a de memória para nuvem, US$ 16,28 bilhões. Para o primeiro trimestre fiscal de 2027, a Micron prevê receita de US$ 61,5 bilhões, com margem de US$ 1,5 bilhão para mais ou para menos.
Segundo a Reuters, a receita superou a estimativa média de analistas, de US$ 51,07 bilhões, e a previsão para o trimestre seguinte também ficou acima dos US$ 57,02 bilhões esperados, conforme dados da LSEG.
Oferta apertada até 2028
O ponto mais relevante para quem compra equipamentos é a projeção de oferta. De acordo com a Reuters, o presidente-executivo Sanjay Mehrotra disse que as condições de oferta e demanda de memória e armazenamento devem ficar bem mais apertadas nos anos fiscais de 2027 e 2028 do que em 2026. A empresa afirmou ter fechado acordos para a maior parte de sua produção de memória de alta largura de banda (HBM) de 2027 e disse que os compromissos dos clientes em contratos de longo prazo subiram para US$ 32 bilhões, ante US$ 22 bilhões em junho, a maioria em depósitos em dinheiro.
O diretor de operações Manish Bhatia disse à agência que a memória se tornou a principal restrição da IA e que novas fábricas levam tempo para fazer diferença. A Micron espera as primeiras saídas de wafers de novas unidades no Japão e nos Estados Unidos em meados de 2027, mas reconhece que leva alguns trimestres até elas terem impacto relevante no mercado. Na prática, a sinalização é de que preços de memória para servidores, PCs e celulares devem continuar pressionados.
Produtos citados
No comunicado, a Micron informou que começou a enviar amostras de módulos DDR5 RDIMM de 512 GB com velocidade de até 9.200 MT/s e concluiu qualificações de módulos de 8.800 MT/s feitos no processo 1-gamma. A receita do portfólio de memória LPDDR para servidores em formato SOCAMM mais que dobrou na comparação com o trimestre anterior. Os SSDs 7600, com PCIe 5.0, e 9650, com PCIe 6.0, já são entregues a clientes para uso como cache de contexto em inferência de IA. As projeções de demanda são da própria empresa e dependem da continuidade dos investimentos em infraestrutura de IA.
Fontes
- Micron — Micron Technology, Inc. Reports Record Fiscal Fourth-Quarter and Full-Year 2026 Results (30/09/2026)
- Reuters (reproduzida pela AOL) — Micron’s AI-fueled revenue forecast blows past estimates, backlog swells (30/09/2026)
Imagem destacada: ilustração gerada por computador, sem valor documental.


