Receita de nuvem de infraestrutura da Oracle cresce 121% e carteira de contratos chega a US$ 664 bilhões
No 1º trimestre fiscal de 2027, a OCI faturou US$ 7,4 bilhões; a Oracle fechou mais de US$ 30 bilhões em novos contratos de nuvem para IA.
A Oracle informou em 10 de setembro de 2026 que a receita da Oracle Cloud Infrastructure (OCI), sua nuvem de infraestrutura, cresceu 121% no primeiro trimestre do ano fiscal de 2027, encerrado em 31 de agosto, e chegou a US$ 7,4 bilhões. No mesmo período, a carteira de contratos ainda não reconhecidos como receita, as chamadas obrigações de desempenho remanescentes (RPO), subiu US$ 209 bilhões em um ano e alcançou US$ 664 bilhões, segundo o comunicado de resultados.
Os números do trimestre
A receita total foi de US$ 19,3 bilhões, alta de 30%. A receita de nuvem, que soma infraestrutura (IaaS) e aplicações (SaaS), avançou 62%, para US$ 11,6 bilhões; as aplicações cresceram 10%, para US$ 4,2 bilhões. Já a receita de software caiu 3%, para US$ 5,5 bilhões, o que a empresa atribui à migração dos clientes para a nuvem. A Oracle diz ter entregado 850 MW de capacidade adicional de data center no trimestre e mais de 300 mil GPUs a clientes de nuvem para IA desde o fim do trimestre anterior.
Segundo a empresa, a demanda por treinamento e inferência de IA continua maior que a oferta, e mais de US$ 30 bilhões em novos contratos de nuvem para IA foram fechados no período. O relatório trimestral (10-Q) entregue à SEC detalha que cerca de 13% da carteira deve virar receita nos próximos 12 meses, 37% entre o 13º e o 36º mês e 34% entre o 37º e o 60º mês.
Custo da expansão
O crescimento tem preço alto. A CNBC informou que os investimentos de capital chegaram a US$ 28,5 bilhões no trimestre, ante US$ 8,5 bilhões um ano antes, que o fluxo de caixa livre ficou negativo em US$ 5,4 bilhões e que a dívida da empresa soma US$ 125 bilhões. No período, a Oracle também vendeu US$ 20 bilhões em ações. A SiliconANGLE acrescenta que quase metade da carteira vem de um único contrato de infraestrutura com a OpenAI, o que torna a Oracle sensível à saúde financeira dessa cliente, embora a carteira sem a OpenAI tenha mais que dobrado em um ano.
Para o segundo trimestre fiscal, a Oracle projeta alta de 30% a 34% na receita total e de 65% a 71% na receita de nuvem, em dólares. Para o ano fiscal de 2027, prevê receita de pelo menos US$ 90 bilhões. As ações subiram cerca de 4% no pregão estendido após a divulgação, segundo a CNBC.
O que muda para quem usa a OCI
Para clientes e concorrentes, o dado mais relevante é a capacidade: a Oracle colocou em operação 850 MW em um único trimestre para atender contratos de IA. A diretora financeira, Hilary Maxson, disse à CNBC que nada indica atraso nos novos sites, como o do Novo México, em relação ao cronograma da empresa. Clientes que dependem de entregas de capacidade devem acompanhar esses prazos, já que a própria empresa reconhece que a demanda supera a oferta.
Limites e pontos em aberto
- A carteira (RPO) é receita contratada para os próximos anos, não receita realizada; a maior parte deve ser reconhecida depois de 12 meses.
- A dependência de um grande contrato com a OpenAI é apontada pela SiliconANGLE; a Oracle não detalha a carteira por cliente no comunicado.
- Projeções para o segundo trimestre e para o ano fiscal são estimativas da empresa.
Fontes
- Oracle (Investor Relations) — Oracle Announces Q1 Results Driven by Triple Digit Growth in Cloud Infrastructure Revenues (10/09/2026)
- SEC (EDGAR) — Oracle Corporation — Form 10-Q, trimestre encerrado em 31/08/2026 (setembro de 2026)
- CNBC — Oracle’s stock edges up on earnings beat as cloud infrastructure revenue more than doubles (10/09/2026)
- SiliconANGLE — Oracle’s stock moves higher on surging cloud infrastructure revenue growth (10/09/2026)
Imagem destacada: ilustração gerada por computador, sem valor documental.


