Decisão completa do caso de ad tech obriga Google a integrar AdX ao Prebid e aceitar monitor por seis anos
Íntegra de 106 páginas descarta a venda do AdX, mas impõe interoperabilidade, compartilhamento de dados e limites ao AdWords, com alcance mundial.
A Justiça federal dos Estados Unidos tornou pública em 15 de setembro de 2026 a íntegra da decisão sobre as medidas que o Google terá de cumprir no processo antitruste sobre tecnologia de publicidade. O memorando de 106 páginas da juíza Leonie Brinkema, do Distrito Leste da Virgínia, havia sido registrado sob sigilo em 2 de setembro. Ele não obriga o Google a vender sua bolsa de anúncios, o AdX, mas impõe integrações com concorrentes, compartilhamento de dados, restrições ao AdWords e um monitor por seis anos.
O que o Google terá de fazer
Segundo o Departamento de Justiça, que comentou a decisão em 16 de setembro, o Google deverá criar e manter integrações entre o AdX e o Prebid e entre o DFP, seu servidor de anúncios para editores, e o Prebid, padrão de código aberto para leilões em tempo real. O AdX também terá de enviar lances em tempo real a servidores de anúncios rivais. Os editores poderão acessar e exportar seus dados do DFP e do AdX, o que facilita a troca de fornecedor. O AdWords, ferramenta de anunciantes do Google, não poderá dar preferência aos produtos de ad tech da própria empresa nem lançar lances diretamente no DFP.
A AdExchanger destaca que as integrações precisam ser “funcionalmente equivalentes”, e não apenas tecnicamente compatíveis. O tribunal negou o pedido do governo para abrir o código do leilão do DFP, mas exigiu documentação técnica sobre como o vencedor é escolhido e o compartilhamento de dados de lances com os editores. O DV360, plataforma de compra de mídia do Google, ficou de fora das restrições. O monitor técnico terá acesso a funcionários, sistemas e código-fonte por seis anos, e não pelos 15 anos pedidos pelo governo.
Alcance mundial e efeito no Brasil
O memorando afirma que o mercado relevante é mundial e que as medidas precisam ter alcance global para restaurar a concorrência. Segundo a AdExchanger, as exigências valem fora dos EUA. Na prática, isso inclui editores e anunciantes brasileiros que usam o Google Ad Manager e o AdX, que poderão se beneficiar da integração com o Prebid e da exportação de dados quando as medidas entrarem em vigor. As fontes não trazem números específicos sobre o mercado brasileiro.
Próximos passos
A sentença final ainda não foi assinada. As partes tinham até 2 de outubro para apresentar suas propostas de sentença, e as medidas passam a valer 60 dias depois da assinatura, segundo a AdExchanger. O Departamento de Justiça disse que continua analisando a decisão para avaliar suas opções, e a AdExchanger prevê que o Google vá recorrer.
Limites e pontos em aberto
- As medidas só passam a valer depois da sentença final e podem ser contestadas em recurso.
- O efeito concreto no Brasil depende de como o Google implementar as integrações fora dos EUA.
- A venda do AdX, pedida pelo governo, foi rejeitada nesta fase.
Fontes
- Tribunal Distrital dos EUA, Distrito Leste da Virgínia (via Courthouse News) — United States v. Google LLC — Memorandum Opinion (1:23-cv-108, doc. 1858) (registrado em 02/09/2026; tornado público em 15/09/2026)
- Departamento de Justiça dos EUA — Department of Justice Again Wins Substantial Relief Against Google (16/09/2026)
- AdExchanger — The Court Just Unsealed Judge Brinkema’s Remedies Decision In The Google Ad Tech Antitrust Case. Here’s Your TL;DR (16/09/2026)
Imagem destacada: ilustração gerada por computador, sem valor documental.


